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O que há de especial no chute de “trivela”? Como a bola pode fazer uma curva em pleno ar?

Todos nós já ouvimos alguma vez a expressão ´a bola veio com efeito...´, seja num jogo de tênis, futebol, ou qualquer outro que tenha bolas sendo lançadas rapidamente ao ar nós podemos ver as curvas que a trajetória da bola faz. Vamos tentar entender como isso é possível.

Tomemos como exemplo uma falta cobrada por Roberto Carlos num jogo Brasil X França (pouco antes da copa de 98). Ele corre... chuta a bola... ela vai em direção a linha de fundo (para fora do gol)... mas de repente surge a mágica: a bola dá uma curva no ar... e... GOOOOOOL!






Mas como isso é possível fisicamente?

Do ponto de vista das leis de Newton sabemos que para o corpo mudar o estado de movimento é necessária a aplicação de uma força. Vamos então analisar as forças que agem na bola.

No momento do chute a chuteira do
jogador claramente aplica uma força que a faz ser lançada ao ar, a força peso (devido a gravidade) a faz cair em direção ao chão, porém temos que ter alguma força a mais que a faça desviar da direção inicial do chute.

Esse fenômeno de desvio da trajetória realizado por corpos em rotação quando estão em um meio fluido é conhecido como Efeito Magnus. Vamos agora ver a origem da força que causa esse efeito.

Vamos inicialmente supor que a bola foi lançada para a direita e sem rotação. No referencial da bola, o fluxo de ar estaria indo para esquerda, como esquematizado na figura abaixo.

Vamos agora supor que a bola foi lançada com uma rotação no sentido horário. A parte superior da bola (ponto A) estaria indo para a direita e a parte inferior (ponto B) para a esquerda. Tanto no ponto A quanto no B, o fluxo de ar está para a esquerda, porém no ponto A a bola arrasta o ar na direção contrária enquanto que no ponto B a bola "impulsiona" ainda mais o ar. De modo que o fluxo fica mais rápido no ponto B e mais lento em A. Veja na figura abaixo a nova co nfiguração do fluxo de ar.

Sabemos da equação de Bernoulli (veja também na seção cotidiano a explicação para o vôo do avião) que:

(d.Va2)/2 + Pa = (d.Vb2)/2 + Pb


Onde P = Pressão, d = densidade do ar e V = velocidade do ar.

Como Va < Vb (devido a rotação da bola) concluímos que Pa > Pb. Ou seja: quanto mais rápido o ar flui, menor é a pressão que ele exerce!

Pronto! Chegamos na força que estávamos procurando. Como a pressão na parte inferior da bola é menor do que a pressão na parte superior, o ar exerce uma força na bola na bola na vertical, empurrando-a para baixo.

Vamos voltar agora ao chute de Roberto Carlos. Ele chuta a bola imprimindo-lhe uma rotação no sentido anti-horário, de modo que a parte esquerda da bola está no mesmo sentido do fluxo de ar que passa pela bola enquanto que a parte direita está indo contra o fluxo de ar. Isso faz com que a pressão do lado direito seja maior do que a do lado esquerdo, causando uma força (mostrada na figura acima) que faz com que a bola curve para a esquerda.

Física à parte, o gol foi fenomenal e serve para aliviar a raiva de ter perdido a copa de 98.




R. Henrique Dias, nºs 105 e 115, Derby, Recife - PE
Fone: 81 3222 0904



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